Há muito tempo atrás eu tive a feliz oportunidade de trabalhar juntamente com uma pessoa que conhecia muito sobre UNIX, e foi com ela que eu realmente comecei a entender este sistema operacional, e consequentemente toda a base de como o Linux funciona.
Penso que o conselho mais valioso que ela me deu foi que o UNIX trata tudo como se fosse um arquivo. Não importa se o conteúdo deste arquivo é um texto simples, uma controladora SCSI com vários discos pendurados nela ou uma impressora. Para o Unix e o Linux, é apenas um arquivo. Um bom exemplo disso é o seu mouse. Digite cat /dev/psaux e mexa seu mouse. Devem aparecer diversos caracteres na sua tela conforme voce mexe seu mouse.
Com isto em mente, deve-se observar que existem diferenças entre cada um dos dispositivos conectados diretamente ao seu computador. O mouse e o teclado são um dispositivo de caracter. Já o HD IDE, o HD SATA, a porta USB e o CDRom são dispositivos de bloco.
Então os arquivos que o designam dentro de um sistema Linux e Unix devem saber que estes dispositivos diferentes e com características distintas. Execute um ls -l no diretório /dev e veja quais dispositivos o linux já tem definido por padrão, e observe a primeira letra da coluna das permissões.
brw-rw—- 1 root disk 3, 1 Feb 26 2005 hda1
crw-rw—- 1 root lp 6, 0 Feb 26 2005 lp0
Neste caso, a letra b nos diz que o dispositivo hda1 é um dispositivo de bloco. Já a letra c mostra que a impressora é um dispositivo de caracter. E o /dev/null, que dispositivo é este ???
Bom, deixando a especulação para depois, vamos ver o que é necessário para montar um dispositivo e torná-lo acessível para o sistema.
Seguem alguns exemplos e passos para montar alguns dispositivos:
PenDrive:
- Tenha os módulos usb-storage, usb-ohci e usbcore carregados. Se não estiverem, basta usar um comando chamado modprobe.
- Crie um diretório para o pendrive em /media (lembre-se do FHS v2.3)
- Monte o pendrive com o comando mount -t vfat /dev/sda1 /media/pendrive
Feito isso, não se esqueça de sair do diretório e de desmontar o pendrive antes de retirá-lo
Use o comando umount /media/pendrive
Seu segundo HD:
- Crie um diretório para o seu segundo HD em /media (lembre-se do FHS v2.3)
- Monte o disco com o comando mount -t vfat /dev/hdb1 /media/disco2
Eu presumi que o seu HD já está formatado com uma partição FAT32. Caso seja NTFS, é sempre bom lembrar que algumas distribuições ainda não conseguem escrever corretamente nesta partição.
Floppy:
Para os saudosistas, aqui vai uma montagem de um floppy de 1.44 MB
- Crie um diretório para o floppy em /media (lembre-se do FHS v2.3)
- Monte o disquete com o comando mount -t vfat /dev/fd0 /media/floppy
Algumas pessoas (e eu estou neste time) preferem montar o floppy especificando o tamanho da unidade. Para isto, use o comando mount -t vfat /dev/fd0h1440 /media/floppy
Partições
O que seria de nós se não fosse possível particionar nosso HD e prevenir a perda de nossos dados quando temos que reinstalar o Window$$$$ ?
Se eu não me engano, o particionamento apareceu porque nas controladoras IDE/RLL muito antigas, havia uma limitação no endereçamento contínuo que poderia ser designado. E em alguns casos os discos eram maiores do que este endereçamento contínuo, então o particionamento fez a sua parte.
Ao invés de ter 1 único disco de 10 MB, haviam 2 discos. 1 de 3 MB e outro de 7 MB. E os discos eram do tamanho de um floppy de 5 1/4” (alguém se lembra ?). E pensar que hoje em dia existem pendrives do tamanho de uma chave, e que comportam facilmante 64 GB.
De qualquer maneira, o particionamento veio para ficar. E é sempre bom ter o disco bem particionado para instalar o Linux.
Pensando em uma instalação caseira onde somente o Linux vai existir, minha sugestão é:
- /boot -> 400 MB
- swap -> 2x a sua memória
- / -> 4 GB
- /var -> 5 GB
- /home -> o resto do seu HD
É claro que cada administrador de rede tem a sua preferência. Mas o ponto importante aqui é que temos 5 partições, e 1 delas deve ser lógica.
Existem 2 utilitários que tratam de criar as partições no HD – cfdisk e fdisk. Eu prefiro o segundo.
Imagine a situação onde voce já tem o linux instalado, de acordo com a sugestão acima, e deciciu comprar outro HD. O que fazer?
Primeiro use o fdisk para criar uma partição qualquer no HD, por exemplo hdb1, com 50 GB. Use o comando fdisk /dev/hdb, depois opção n (add new partition), escolha o numero da partição, opção t (change a partition’s system id), escolha o tipo (82=Linux swap, 83=Linux, c=WIN95 FAT32 com LBA), w e pronto.
Para ter certeza se está tudo OK, use fdisk /dev/hdb -l
Feito isso, basta agora voce formatar a particao e escolher qual sistema de arquivos voce quer usar. Recentemente eu achei um artigo bem detalhado sobre um benchmark entre os diversos sistemas de arquivos mais usados em Linux. Veja o teste e seus resultados neste link. Vale a pena ler.
Crie o seu sistema de arquivos predileto. Para o xfs, use mkfs.xfs /dev/hdb -f
Depois adicione ao seu /etc/fstab a linha
/dev/hdb1 /mnt/backup xfs defaults 0 2
que vai garantir que sua partição seja montada cada vez que boce reiniciar sua máquina, e monte sua partição para começar a brincadeira mount -t xfs /dev/hdb1 /mnt/backup
Apenas como informação, os campos da linha baixo significam:
1 ——- 2———- 3– 4——- 5 6
/dev/hdb1 /mnt/backup xfs defaults 0 2
1: partição que será montada
2: ponto de montagem que será usado
3: tipo do sistema de arquivos da partição
4: lista de opções para a montagem
5: sem dump do sistema
6: ordem de verificação do sistema no momento do boot
